Amo você a deriva,
Busco-te de vaga em vaga....
Floreio a nona sinfonia de Beethoven...
Penso na Divina Comédia,
Ouço o gemido do vento...
A lamúria do silêncio,
Mas acima de tudo vejo tua juventude
Expressa na tua velhice,
Escondida na tua sensualidade,
Mascarada pelo falso pudor...
Ah...de rei... de louco e sábio,
Você tem mais que um pouco,
Tem o poder dos titãns, a bravura dos guerreiros,
A sabedoria dos escribas e a ingenuidade das crianças....
Você se desconhece,
Você se ignora,
Você não sabe quem é,
Conheço-te como as linhas que desenham à palma de minhas mãos,
O toque da planta de meus pés,
Sob o toque frio da úmida areia do mar....
Ah...você nem sabe quem é...
E eu sei meu velho senhor...
Temente das dores do mundo,
Das decepções da vida...
E da malfazeja ingratidão do caminho,
Que te inspira e te faz temer.
Ah...meu poeta, meu doce menestrel...
Covarde homem de pouca fé...
Deixa tua guerreira entrar neste campo inóspito
De tua alma ...
E fazer florescer a vontade de viver.
[marilda amaral]
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